DF elege dois LGBTs, 10 negros e 8 mulheres em 2026; especialistas analisam representatividade nas bancadas
Keka Bagno (PSOL) e Fábio Félix (PSOL), eleitos para a Câmara do DF e para a Câmara dos Deputados Redes sociais/Keka Bagno O Distrito Federal elegeu duas pe...
Keka Bagno (PSOL) e Fábio Félix (PSOL), eleitos para a Câmara do DF e para a Câmara dos Deputados Redes sociais/Keka Bagno O Distrito Federal elegeu duas pessoas LGBTQIA+, dez pessoas que se autodeclaram negras e oito mulheres nas eleições deste domingo (4) para o Senado, Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa. O levantamento foi feito pelo g1 conforme dados inseridos pelos próprios candidatos no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora duas senadoras e cinco deputadas distritais tenham sido escolhidas, o DF não elegeu nenhuma mulher para a Câmara dos Deputados – algo inédito desde 2006. O DF terá a primeira bancada da história do Senado composta por três mulheres – e a única da próxima legislatura. Dos candidatos eleitos que se autodeclaram negros, oito são pardos e três são pretos. Dos candidatos eleitos LGBTQIA+, um é um homem gay e a outra é uma mulher bissexual. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp Dezessete dos 24 deputados distritais foram reeleitos Para a professora da Universidade Católica de Brasília (UCB) e pesquisadora de relações étnico-raciais e de gênero, Kelly Quirino, a eleição de pessoas de grupos minoritários traz uma demanda da sociedade por mais questões de representatividade sendo colocadas em pauta. A professora reforça a importância de ter diferentes grupos sociais na política para trazer para os Poderes a diversidade que há na sociedade. Mas pondera que as barreiras não vão deixar de existir. "As bancadas tradicionais continuam muito fortes. [...] Então nesse sentido, as pessoas sub-representadas indo para esses espaços vão ter que fazer disputas de narrativa, e isso vai ser muito exaustivo. Então isso é uma barreira, porque a maioria tradicional vai defender pautas tradicionais, enquanto o outro grupo vai debater o racismo, a LGBTFobia, a violência contra a mulher", explica. Presença limitada Para a professora Beatriz Sanchez, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), a presença desses grupos minoritários na política ainda é limitada por barreiras estruturais que começam bem antes das eleições. “Uma delas é a desigualdade no acesso aos recursos necessários para disputar uma eleição, especialmente financiamento, estrutura de campanha, tempo de exposição da candidatura e acesso a redes políticas. Homens brancos ainda são beneficiados por terem mais acesso a esse tipo de recurso”, pontua. Além disso, segundo ela, existem barreiras dentro dos próprios partidos políticos. “Mulheres, pessoas negras e pessoas LGBT ainda estão sub-representadas nas instâncias de direção partidária, que são os lugares em que são tomadas as decisões sobre as candidaturas, a distribuição de recursos e sobre quais serão as estratégias eleitorais”, diz. Assim como Kelly Quirino, Sanchez reforça que a presença de pessoas de diferentes grupos fortalece o debate e o processo político. Destaca, porém, que isso não significa que todas as pessoas de grupos minoritários defendam, necessariamente, as mesmas pautas ou tenham as mesmas visões políticas. “Não existe uma relação automática entre identidade e posicionamento político. Pensar dessa forma seria defender uma visão essencialista da política. Mas as experiências sociais distintas podem sim fazer com que determinados problemas sejam, em primeiro lugar, levados para a política e, em segundo lugar, tematizados de maneiras diferentes.” Veja detalhamento abaixo: LGBTQIA+ Fábio Felix (PT), deputado federal eleito, e Keka Bagno (PSOL), deputada distrital eleita Reprodução/Redes sociais Fábio Felix (PT): deputado federal, gay Keka Bagno (PSOL): deputada distrital, bissexual As eleições de 2026 tiveram 406 candidatos que se autodeclararam LGBTQIA+ em todo o país. O número representou 2% do total dos concorrentes (20.575). Essas foram as primeiras eleições gerais em que a Justiça perguntou essa informação no registro de candidaturas. Pessoas que se autodeclaram negras Fábio Felix (PSOL): deputado federal, pardo Prof. Reginaldo Veras (PV): deputado federal, pardo Keka Bagno (PSOL): deputada distrital, preta Max Maciel (PSOL): deputado distrital, pardo Chico Vigilante (PT): deputado federal, preto Roosevelt Vilela (PL): deputado federal, pardo Pepa (PP): deputado federal, pardo Ricardo Vale (PT): deputado federal, pardo Wellington Luiz (MDB): deputado federal, preto Martins Machado (Republicanos): deputado federal, pardo Rogerio Morro Da Cruz (PSD): deputado federal, pardo Dos 34 candidatos eleitos pelo Distrito Federal, 23 são brancos, oito são pardos e três são pretos. No cenário nacional, a eleição deste domingo manteve em 135 cadeiras o número de deputados pretos e pardos. Mulheres Michelle Bolsonaro (PL): senadora Bia Kicis (PL): senadora Estefane Sampaio (Republicanos): deputada distrital Keka Bagno (PSOL): deputada distrital Jaqueline Silva (MDB): deputada distrital Renata Daguiar (Republicanos): deputada distrital Dayse Amarilio (PSB): deputada distrital Nas eleições proporcionais — para deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador —, os partidos e federações precisam respeitar uma cota mínima de candidaturas de cada gênero. 🔎 Pela Lei das Eleições, pelo menos 30% dos candidatos devem ser de um gênero e, consequentemente, no máximo 70% podem ser do outro. 🔎 Na prática, como os homens são maioria entre os candidatos, a regra funciona principalmente como uma garantia de que ao menos 30% das candidaturas sejam de mulheres. 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